quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

abscreção

Vagueio pelas ruas descalço.
Já não me importo em pisar nos esgotos
Nem me importa a sujeira que me exala dos poros.
Estou cheio.
Sinto-me empanzinado, sinto enjôo.. qualquer hora dessas caio.
Vomito, choro, escarro, grito, defeco!
Contudo o asco dentro de mim só aumenta.
Sinto que vou explodir.
Em vez de excretar eu absorvo.
Absorvo o álcool que me dilata as entranhas,
Absorvo essa luz branca que me queima a retina,
Absorvo essa comida enlatada,
Meus poros absorvem o odor fétido da cidade.
Quero descer.
Sinto que vou explodir.
Amanhã começo a dieta.
Na próxima parada, desce.
Está decidido, amanhã acordarei no mato,
Aonde eu possa dormir em silêncio de mim. 

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