sexta-feira, 25 de maio de 2012

desorganizemos

fora da ordem..
muita coisa anda fora da ordem.
fora do tempo, do compasso.
Quanta desafinação!

lembranças em formas de cores,
em tardes infinitas da infância...
tardes que agora se estendem entre sonhos
e noites mal dormidas,
noites de camisas impregnadas de ar-condicionado e de café.
Infância.
o tempo era muito mais confuso,
mas como a melodia era harmônica!

a musica de ontem, canta-me passarinhos,
os mesmos passarinhos que estendiam
aquelas tardes infinitas...
será que como nós, os passarinho passaram a se preocupar com a ordem?

se hoje há música,
é proveniente das buzinas e automóveis,
que se deslocam no espaço, diminuindo o tempo
entre as cores.
haverá musica na cerra elétrica?
na britadeira?

Agora a casa está demolida,
agora,
dos longos corredores,
dos escuros banheiros,
do cheiro de naftalina do armário,
dos azulejos de espirais amareladas,
das infiltrações em formas de flores,
 resta uma atmosfera de demolição,
bagunçada entre resquícios de lembrança
e de tijolos desfigurados.

passei, estava tudo no chão.
 é essa a ordem que se impõe...
a ordem da falta de tempo para se desprender do tempo e quebrar a ordem imposta.

Abandonemos essas camisas impregnada de ar-condicionado e café,
desliguemos as máquinas
e façamos um esforço para lembrar..
a casa continua de pé,
em algum lugar ainda cantam os mesmos
passarinhos das tardes infinitas da infância.
Em algum lugar ainda existe a harmônica desordem almejada.
desorganizemos!